Se eu pudesse medir em litros – nem o oceano conseguiria. Se pudesse medir em palavras – faltaria papel e tinta. Se pudesse apenas descrever – jamais pararia de falar. Se fosse possível demonstrar – não me bastaria chorar. E dos teus olhos que me devoram a alma, das tuas mãos que consomem meu ser, da tua voz que leva à tortura, e do teu sorriso... Que sempre levo comigo. Nós fomos, ou somos. Tentamos e falhamos. Mas aquilo que deixou gravado em mim foi mais profundo que um abismo, não pelo silêncio, não pela solidão, nem mesmo pela história mau acabada. Olhando melhorvocê talvez não tenha deixado nada. O vazio que agora chamo de “eu” seria um esconderijo perfeito, se não tivesse uma companheira. Ela, que vêm sem ser convidada, que vem quando não se espera, que vem e destrói, humilha, destroça... Mas te deixa vivo, para continuar a conhece-la. Ela que veio hoje, depois de ter vindo todos os dias. Ela que não me abandona, por mais que eu lute, por mais que eu grite. Ela que tem histórias, a de um pai perdido, a de um filho doente, a de um irmão assassino, a de um amigo ausente, a de um amor esquecido...a nossa história. Ela que, depois de tanto tempo, ainda carrega teu nome.
D.
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